Editora Delicatta




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PROJETO  2014

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Melhores momentos Bienal 2012

1 Lugar Poesia
 
Título - Eu, Quixote
Autor - Raimundo Palmeira
Maceió - AL


1 Lugar Crônica
 
Título - Il Maestro Dorfo
Autor - Renato  Frata
Paranavaí - PR


1 Lugar Conto
 
Título - Amor e Cristo
Autora - Daniele Bezerra
Fortaleza - CE


Troféu Destaque 2013
 
Conjunto da obra
Autora Leide Borges
Goiânia - GO
Sorteio da edição de livro solo
 
Autor - Roney Morais
Cachoeiro do Itapemirim - ES


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PREMIAÇÃO EVENTO 2013

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA EM 16/11/13


VENCEDORES

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POESIA

Raimundo Palmeira

(Maceió – AL)

Eu, Quixote
E agora eu mergulho no mais profundo da minha ilusão!
Em armas e armadura eu me faço cavaleiro andante,
E vou à batalha, pela liberdade ou por qualquer paixão;
Faz-se intrépido alazão, meu pobre Rocinante.
De um a outro sonho, cavalgo, febril;
Galante, elegante, valente e atento;
Derroto dragões -vitorioso, viril-
Que nada mais são que moinhos de vento.
Persigo a justiça, defendo a igualdade,
Combato a tirania, venço as alcateias;
Cada desilusão, encerra uma saudade
Do colo ilusório de minhas Dulcinéias.
Sigo, vida afora, vendo-me desejado;
Imune à ação do tempo e da idade;
Nenhum Sancho Pança, que, fiel, ao meu lado
Me traga de volta a minha sanidade.
Mas acordo, sozinho, sob o céu, ao relento;
Frágil, envelhecido, poeta sem mote;
Meus sonhos partidos, real desalento,
Nos braços do dia, sou só Dom Quixote.

                                                                         



CONTO



                                                             Daniele Barbosa Bezerra
                                                                     (Fortaleza – CE)



                                                                                    Amor e Cristo



(.

         EVENTOS ANTERIORES

(...) entusiasmo e ansiedade. – Estava chegando. Com que fantasia? Escolheu uma mais prática. Olinda era o destino. Brigara com a namorada. Odiava ela o carnaval. Ele não se importara, comprara a sua passagem. O namoro já não estava bom. Ela ficaria por aqui. Retiro, normalmente, era o que fazia. Nunca o convencera a isso. Ele a cada ano num bloco, numa cidade. Rio-Mangueira, Bahia – Olodum. Ela com a tristeza momina eterna. Todos os carnavais. Quatro anos agora. Mas ele fazia sempre a mesma coisa. Não mudara em nada. Ela também. Rezava pela humanidade nesses períodos. Ele amava a humanidade também. Ela descobrira suas aventuras de carnaval. Ele tinha a certeza de suas aventuras com Cristo. Conforto para ele. Inquietude para ela. Ela nutria ciúmes dele. Ele a entregara despudoradamente nos braços de Cristo. Chegara o momento da separação. Ela não queria falar com ele. Ele adulava-a de todas as maneiras. Ela sem fazer promessas, apenas cara amarrada. Ele prometendo o que não poderia: ser fiel. Ambos com mochilas nas costas. Ele dirigiu-se a um grupo de amigos à rodoviária. Ela dirigiu-se a um grupo de amigos que a esperava no ônibus da igreja. Seguiu cada um a sua estrada. Ele com a sua garrafa de aguardente na mão, passava entre os colegas durante a viagem. Ela fazia suas orações e cantava cânticos de fé junto às suas amigas. Passadas muitas horas, ele chegara embriagado ao destino. Ela embriagada de chorar, de insegurança e saudade chegara à fazenda. Olinda já sem ter onde hospedar. Ela hospedada num quarto limpo, mas sem luxos. Ele tentando arrumar uma vaga numa casa com trinta pessoas. Ela dividia o seu quarto com mais uma colega de retiro. E durante esses quatro dias...
descobriu-se mulher com a colega. Culpou-se. Pediu perdão a Deus pela descoberta, promessa em vão. Aproveitara todas as descobertas do prazer junto àquela que tinha como afinidade o amor a Cristo. Após quatro dias de muita brincadeira e namoro carnavalesco, ele volta, sentindo um vazio de amor e um preenchimento de mundo. Ela uma redescoberta de mundo, além de um preenchimento na alma. Reencontraram-se. Ela mostrava-se feliz com suas mais novas peripécias carnavalescas. Ele achando-se mais bem-aventurado, pois imaginava a resignação da namorada em sua clausura momina. Ao se reencontrarem, ela foi para os braços dele mais apática do que todas às vezes em que se viam após o carnaval. Calmamente, olhou-o e disse-lhe que, a partir daquele momento ele seguisse o seu caminho sozinho porque Cristo havia mostrado a ela o que era felicidade.
Assim, ele partiu sem entender nada, sem dar uma palavra, apenas com a roupa suja e suada de Olinda ainda no corpo. Parou no primeiro boteco para continuar a bebedeira e entender o porquê da perda.


CRÔNICA


Renato Benvindo Frata
(Paranavaí – PR)


Homenagem à memória de meu pai,
Rodolpho Fratta.



 Il maestro  maestro Dorfo


A casa da mamma Luíza seria igual a tantas de imigrantes italianos nos fins do século dezenove, não fosse o jeito de ser dela própria: alta, esguia, nariguda, magruça e mandona, a ponto de fazer do marido Ângelo, coadjuvante. A família ocupava uma residência com tarefas definidas: as noras e filhas – que não estivessem de resguardo – cuidavam da cozinha, da ordenha, da roupa e da casa, enquanto os filhos e genros da roça, da piloagem do arroz, do moinho de fubá, dos animais. Aos bambini cabia o trato das galinhas e a obrigação de levar onde estivessem água fresca e café com broa aos adultos, por duas vezes ao dia. E a vida seguia na aspereza dos dias e no aconchego dos enormes colchões de palha nas noites; e de resto a lentidão do tempo em que a natureza com suas cores, clarões e vozes, comungava com a simplicidade do povo, tendo Deus e os santos por guardiões do amor que gestava de permeio.
Nessa labuta passou o tempo, até que num momento mamma Luiza despejou: – O “Dorfo” vai pra escola, precisamos de alguém mais sabido que nós, que leia o que “essa gente” põe na nossa frente. – Tratava-se de Rodolpho, o caçula, e do contrato de meação que o proprietário da terra os fazia assinar para garantir sua estada no trato do cafezal. Daí a preocupação em ser menos lesados.
Ninguém se apôs; já haviam passado da idade e às mulheres não era dado esse direito. Ângelo fez a matrícula, comprou os materiais e um saco branco para o embornal. O bambino Dorfo foi levado na manhã seguinte. Depois, iria sozinho, com obrigação de aprender para resolver os problemas de conhecimento da família. O moleque arruivado logo aprendeu. A ligação das letras compondo palavras e a formação de frases chamou à atenção da professora; fora feito para a escola, especialmente quando os cadernos voltavam com os “parabéns, vá em frente” escritos na parte superior. – Buonno, buonno, bambino mio –, sorria ela.
Dorfo teria o horizonte descortinado com as oportunidades aos seus pés, a leitura e o conhecimento faziam dos homens pessoas especiais, as chances dos bons negócios cairiam em suas mãos como a abençoada chuva que escorria do telhado. Bastasse seguir as regras da humildade e da decência que desfrutaria a vida que os irmãos nunca conheceriam: o mundo das letras, das mãos macias, do ordenado certo, enquanto eles continuariam a depender da lavoura, do meeiro, do atravessador que os fiava na entressafra e cobrava em dobro depois. Da lida inglória do homem da roça. Quanta sabedoria naqueles sonhos!
Quando o moleque chegou mostrando resolvidas as contas mais complicadas de aritmética, todos se empolgaram, era mesmo o mais sabido, e chegara a hora dele começar a pagar pelo benefício. Então, ordenou: – Dorfo, tu sarai il maestro di noi tutti. Foi o que bastou para que nos começos de noite, ao redor da grande mesa da cozinha iluminada com lamparinas, lápis começassem riscar copiando nos cadernos as primeiras letras desenhadas por Dorfo na lousa improvisada: A – E – I – O – U.
Luíza observava a segurança do bambino que apesar do respeito aos irmãos, mostrava destreza e paciência diante da dificuldade que tinham em desenhar rabiscos. Com o tempo, mais familiarizados com os instrumentos de escrita, as mãos calosas foram se adaptando a juntar as letras em carreirinha e montar seus nomes, o sobrenome e frases curtas do dia a dia, como o sol está quente, a lua está clara; e mais tarde pensamentos longos e enigmáticos, saídos do coração. O mestre Dorfo havia alfabetizado seus irmãos e cunhados. Não o fez com a mamma e su padre Angelo, porque não quiseram; – estavam troppo vecchi, para pegar num lápis.
O vento que leva o cisco leva também palavras, e nesse soprar a notícia correu pela colônia, e a cozinha ficou pequena para o abrigo de vizinhos que chegavam com cadeiras e lamparinas, dispostos a aprender. O mestre Dorfo, agora de calças compridas, contava histórias dos navios de Cabral, dos textos de Machado de Assis sobre a aurora de esperança do país a cada amanhecer, da terra que nunca negou fruto a quem plantasse a semente, e explicava
sobre astros do céu, constelações, as mudanças da lua, os planetas do cosmos, as intrigas do poder republicano, a coisas intrincadas da primeira guerra, o amor ao Ser supremo e, pacientemente os ensinava ler e escrever nomes, datas, acontecimentos. Era Il maestro, che solo deto la verità como vaticinara a mamma.